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A ORIGEM DA PALAVRA SEBO

Al-Farabi (872-950) foi um filósofo muçulmano, nascido no Turquestão, que viveu em Bagdá e que, por seus conhecimentos e reputação de grande leitor, emprestou seu nome aos livros e documentos antigos ou velhos de pouco préstimo ou valiosos, raros ou comuns.

Alfarrabistas são, portanto, os comerciantes desses livros, cujas lojas, no Brasil, são conhecidas como “sebos”, termo que popularmente parece estar relacionado à aparência já manuseada e, por isso, “ensebada” das obras ali vendidas.

Há quem diga que o nome “sebo” vem do tempo em que não havia energia elétrica e as pessoas liam à luz de velas, feitas de sebo, sujando e engordurando os livros.

Foi o escritor Josué Montello quem nos chamou atenção para o fato de que esta palavra – sebo – também tem todos os indícios de estar ligada, por uma derivação analógica, ao substantivo “sebenta”, que significa “apostila”, “apontamentos de aula”, e que se explica por uma etimologia igualmente popular, devido ao aspecto bastante usado das tais apostilas. Mas, segundo afirmação de Silveira Bueno em seu Grande Dicionário Etimológico Prosódico da Língua Portuguesa, a verdadeira origem da palavra “sebenta” é muito outra, por contração, e dele pode-se depreender também uma origem possível para “sebo”, como local onde se vendem sebentas, livros e documentos. “Do part.pres. sapiente se fizeram várias derivadas: sabença (sapientia), sabente e desta forma sabentar-se em espanhol, asabentar em provençal, catalão, correspondendo ao ital. insaventire, tornar-se sábio, erudir-se, instruir-se, donde o português arcaico assabentar, sabentar. Desta forma verbal saiu sabenta, a apostila, o conjunto de lições, explicações de aulas. Houve assimilaçãop de a e e (sebenta) já sob a influência do adjetivo sebento, sebenta. Assim, sebenta nada tem que ver com sebenta de sebo, mas queria dizer: a obra, a coleção de notas de classe que tornava o estudante mais preparado, mais sábio”.

Explicar-se-iam, assim, expressões de uso corrente como “metido a sebo”, e também “caga-sebo”, uma referência depreciativa a pessoas que afetam saber com arrogância.

Os sebos vendem livros usados, em geral lidos e manipulados por seu primeiro proprietário, que após algum de tempo de convívio com a obra, opta por trocá-la ou vendê-la para ter acesso a outras leituras ou fazer dinheiro. Nesse momento, o livro tem a chance de nascer de novo para outro leitor, que interessado no seu conteúdo, preço e/ou raridade, o leva para casa para que ele cumpra sua função.

Enquanto as livrarias tradicionais estão cada vez mais voltadas para as novidades e para os livros de grande vendagem, os sebos trabalham com livros consagrados pelo tempo, por sua qualidade intrínseca, geralmente com vendas perenes, mas contadas em unidades, consumidos por leitores ávidos por alimento de qualidade e bom preço. Há uma verdadeira reciclagem cultural na continuidade que ali se estabelece.
 


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